Extrema Diferenciação do Ensino que não enlouquece você

Jon Bergmann | 28 de Maio de 2021

Tradução: Wilson Azevedo
(quarto de uma série de artigos que, autorizado pelo autor, traduzirei para o Português à medida que forem sendo publicados)

Você já se sentou numa sessão de desenvolvimento profissional com o apresentador falando sobre como você deveria diferenciar o ensino, mas mentalmente você diz … De jeito nenhum! Eles são loucos! Tudo parece muito bom, mas … Eu sou só uma pessoa. Não consigo ensinar duas, três ou quatro coisas diferentes ao mesmo tempo. É impossível fazer isso com meus alunos. Durante a pandemia, tentei fazer isso e, bem … não funcionou. Não consigo preparar tantas tarefas diferentes. Não consigo estar em dois lugares ao mesmo tempo. Na verdade, durante a pandemia, senti que nem era tão eficaz. Não consigo fazer isso e ao mesmo tempo manter minha sanidade.

Agora, e se … e estou falando sério … e se você pudesse realmente diferenciar o ensino. E se você pudesse atender às necessidades individuais de seus alunos sem muito trabalho extra. Se você está curioso, continue lendo.

Este artigo faz parte de uma série em que discutiremos como você pode tornar a aprendizagem para o domínio uma realidade. Nesta série estou contando como eu e milhares de outros professores transformamos as salas de aula em um lugar onde todos os alunos vão bem. Em meus artigos anteriores dei uma visão geral da Aprendizagem para o Domínio, depois aprendemos que você nunca mais precisará dar aulas expositivas para toda a turma ao mesmo tempo e como oferecer um ritmo flexível para outros alunos. Hoje vamos nos concentrar em como fazer a diferenciação extrema do ensino. Se você ainda não leu os outros artigos, eu o encorajo a voltar para que possa progressivamente ver como fazer bem a Aprendizagem para o Domínio.

Então, como fazer diferenciação extrema que não o enlouqueça? Abaixo estão as quatro dicas principais para diferenciar o ensino de forma extrema.

Planeje para a diferenciação do ensino

O planejamento é a chave para uma boa diferenciação do ensino. No meu caso, primeiro sento e identifico os objetivos ou metas essenciais que quero que os alunos dominem. Pergunto a mim mesmo: O que eu acho que todo aluno deve saber ou ser capaz de fazer? Em segundo lugar, identifico o que chamarei de objetivos do tipo “é bom saber”. Em seguida, crio um documento de aprendizagem (imprimo roteiros) que inclui toda a aprendizagem do tipo essencial e do tipo “é bom saber”. Dessa forma, crio um documento que contém toda a aprendizagem que desejo que os alunos dominem. Isso inclui anotações sobre vídeos invertidos, conjuntos de perguntas e atividades mão na massa. Eu acho que você já fez muito disso. Você identifica metas (objetivos), e tem atividades que deseja que os alunos façam. Muito desse trabalho já está feito.

Em termos de roteiro, prevejo que nem todo aluno terminará tudo. Meu objetivo é fazer com que cada aluno domine pelo menos toda a aprendizagem essencial. Abaixo se encontra o esboço de um dos meus roteiros de uma unidade recente que trabalhei com meus alunos de Química. Observe que ainda uso a expressão “folha de tarefas”. Eu sei que em alguns círculos isso não é recomendável. Mas acredito que os alunos ainda precisam praticar as coisas. E se eles não praticam, eles não vão dominar o material.

Como esta é uma turma orientada para o domínio, os alunos irão avançar sobre o material num ritmo flexível. E uma vez feito isso, fico preparado para diferenciar o ensino. A chave para o planejamento é planejar mais do que você espera. Planejo com um olho nos meus alunos mais adiantados e com isso fico bem com alguns alunos que não dominam tudo. Isso está inserido em cada unidade. Por exemplo, a prática (planilhas) é estruturada de forma que o número 1 seja fácil e o número 12 seja difícil. Isso define minha unidade de tal forma que eu esteja preparado para diferenciar o ensino.

Conheça seus alunos

Depois de organizar o roteiro, tenho que decidir quem vai fazer quais objetivos. A chave está em conhecer os pontos fortes e fracos dos meus alunos. Tenho certeza de que você não leva muito tempo para saber quais alunos terão dificuldades e quais serão os melhores em suas turmas. Depois de observar que alguns alunos estão tendo dificuldades, reduzo minhas expectativas ao nível apropriado para eles.

Isso acontece especialmente durante a primeira unidade do ano. Observo cuidadosamente quem precisa de atenção extra durante a unidade inicial. Embora os mesmos alunos não tenham problemas com todas as unidades, definitivamente existem padrões que são facilmente identificados. E adoro quando me surpreendem. Recentemente, tive uma aluna que estava com baixo desempenho e, na minha cabeça, encaixei-a na categoria de “sempre com baixo desempenho”. Aí vi surgir uma faísca. Eu a vi se destacar em alguma coisa e a encorajei. E nas semanas seguintes ela se transformou numa das melhores alunas da minha turma. Ela só precisava que eu acreditasse nela e dissesse que ela poderia resolver os problemas mais desafiadores. E, cara, ela persistiu!

Diferenciando Expectativas

Espere … você disse que diminui as expectativas de alguns alunos? Isso não é … contra as regras? Não deveríamos ter expectativas mais altas para todos os alunos? Sim e não. Eu diria que precisamos de expectativas adequadas. É normal que você tenha expectativas diferentes para alunos diferentes.

Quando comecei a diferenciar o ensino dessa forma, meu filho estava numa de minhas turmas. Um dia ele se virou para mim e disse: “Pai, você espera mais de mim do que de Miranda”. Ele estava chateado porque eu esperava que ele dominasse mais do que seu parceiro de laboratório. E você quer saber? Ele estava certo. Mas eu nem mesmo respondi a ele porque não saio por aí anunciando que tenho expectativas ligeiramente diferentes sobre alunos diferentes. Portanto, enquanto estou trabalhando com alunos, tenho expectativas diferentes.

Você tem que estar OK com a noção de que nem todo aluno vai dominar todas as partes do seu currículo. Eu penso assim. Antes de usar a Aprendizagem para o Domínio, meus alunos eram expostos a 100% do meu conteúdo. Mas eu não tinha certeza de que eles chegaram a dominar alguma coisa. Claro, alguns sim, mas muitos não. Isso porque quando chegava ao final de uma “unidade” aplicava um teste. E independente do desempenho dos alunos, seguíamos em frente. Mas em um ambiente orientado para o domínio, os alunos devem dominar o material antes de prosseguir. Sei que alguns alunos não dominarão todos os tópicos. Mas sei que aqueles que eles dominaram foram de fato dominados. Portanto, se a maioria dos meus alunos dominar todos os objetivos exigidos e alguns apenas dominarem, digamos, 80% dos objetivos, considerarei isso uma vitória.

Diferenciação em movimento

Então aqui está o que faço! Enquanto ando pela sala de aula avaliando formativamente os alunos, tomo decisões imediatas sobre o que quero que cada aluno realize. Sobre meus alunos mais adiantados, espero que façam todas as perguntas mais difíceis e as façam de forma mais independente. Para meus alunos normais, espero um pouco menos. E para aqueles alunos que lutam com dificuldades ainda menos. Normalmente direi a um aluno que está em dificuldades que resolva apenas esses três problemas e me explique como os resolveu. Também sou conhecido por dizer aos meus alunos avançados para pularem as perguntas fáceis e me mostrarem como resolver os problemas mais difíceis. Também direi aos meus alunos com dificuldades para pularem um tópico por não ser de um objetivo essencial.

E é isso! Tomo decisões imediatas sobre a diferenciação do ensino enquanto ando pela minha sala, avaliando os alunos formativamente. O verdadeiro trabalho é organizar roteiros de aprendizagem para que eu possa diferenciá-los. Acho que meu maior desafio é perceber a quais alunos dar mais assistência e quais trabalham de forma mais independente.

Eu adoraria ouvir também algumas de suas dicas de diferenciação do ensino. Como você tornou a diferenciação do ensino algo muito fácil?

Você pode aprender mais sobre diferenciação e Aprendizagem para o Domínio em meu site.

Trabalho com Educação Online e Inovação Educacional desde meados dos anos 90. Tenho formação em Filosofia, Antropologia e Educação. http://www.aquifolium.com.br